Era uma vez um menino chamado Zunkuza que vivia na Ilha de Moçambique.

A Ilha de Moçambique era uma Ilha muito pequena, com apenas três quilómetros de comprimento. Estava dividida em duas partes: a Cidade de Makuti, onde as casas eram construídas com as tiras das folhas do coqueiro, e a Cidade de Pedra, onde estão as ruínas das casas outrora construídas pelos Portugueses que habitaram a Ilha de Moçambique.

Zunkuza dava a volta à Ilha numa manhã e a cada dez passos que dava alguém lhe gritava “Zunkuza, onde vais?” e Zunkuza, continuando a caminhar sob os seus pés descalços, respondia sempre o mesmo: “Estou a pidir doce!”.

E era assim que o Zunkuza passava os seus dias, em vez de ir para a escola, dava a volta à Ilha a pedir doces aos turistas que vinham da Europa para visitar a linda Ilha de Moçambique.

O menino cativava qualquer turista com os seus grandes dentes e os seus olhos cruzados. Tinha uma estratégia que sempre resultava: agarrava na mão dos Homens que passeavam de máquina ao peito, chapéu de sol e protetor solar na face e depois bastava dizer-lhes “Compra lá bolacha”. E o seu dia estava ganho. Não havia quem resistisse.

Um dia Zunkuza ,andava pelas ruas da cidade de Makuti, quando avistou um Senhor alto, desta vez sem máquina ao peito, mas com um grande chapéu de sol na cabeça. Ia tentar a sua sorte quando o senhor não deu tempo para que a sua mão fosse agarrada e deu pela presença do menino antes disso. Olhou para os seus grandes olhos que apontavam direções opostas e disse:

“Olá! Qual é o teu nome rapaz?”

“Zunkuza.” – Respondeu.

“Zunkuza? E não devias estar na escola? Em que classe andas tu?” – Respondeu o Senhor alto.

“Estou a pidir bolacha. Estar na primeira classe. Compra lá bolacha.” – Pediu o menino.

“Zunkuza, não te vou comprar uma bolacha porque isso não faz bem. Sabias? Vou-te mostrar.” – E então, o turista pegou na mão do Zunkuza e começou a atravessar a cidade de Makuti em direção à Escola Primária.

“Estás a olhar para aquele buraco no telhado daquela casa? – e apontou para uma das casas com telhado de Makuti – Sabias que se comeres doces, os teus dentes podem ficar com buracos assim?”

E continuou:

“Estás a ver o mar agitado como está?” -Era possível ver a praia da rua de onde estavam – “Achas que algum peixe consegue dormir naquele mar? Os doces deixam-nos assim. Inquietos. Agitados. E não conseguimos descansar como deve de ser e recarregar energia para o dia seguinte.”

Avançavam. E o Senhor alto continuava:

“Vê bem aquela grande árvore. Há quanto tempo pensas que ela existe nesta Ilha? Há muito tempo. Se deixares de comer doces podes viver como aquela árvore. Podes viver por muito tempo.”

Depois, o senhor alto apontou para uns meninos a brincar no parque e disse:

“Vês aquela bola com que os outros meninos estão a brincar? Se continuares a pedir bolachas vais poder servir de bola também. Queres ser a bola ou queres ser quem marca o golo?”

Zunkuza riu-se.

Chegaram perto da escola e Zunkuza conseguia ver os seus colegas da janela. O professor estava junto ao quadro a dizer qualquer coisa que fazia a turma rir. O senhor alto olhou para o menino e disse:

“Agora Zunkuza, sabes que se parares de andar a pedir doces e em vez disso vieres todos os dias à escola, podes tornar-te num Senhor alto, como eu, com os dentes bonitos e com muita inteligência para aprenderes tudo o que o professor te ensinar.”

Zunkuza olhou para o Senhor alto, largou a sua mão e sem dizer nada entrou na sala de aula. Desde esse dia Zunkuza nunca mais faltou à escola. Por vezes ainda pedia doces aos senhores que passavam perto de sua casa, mas mal olhava para a grande árvore, para as ondas agitadas, para a bola com que brincava, lembrava-se que um dia conhecera um Senhor alto que lhe explicara porque é que não devia pedir doces. Em vez disso, Zunkuza começou apenas a segurar a mão aos turistas que passavam pela Ilha, sem pedir, e levava-os a ver as ondas, as árvores e os meninos a jogar à bola.

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