Boa noite,

Como já referi, uma das minhas funções na Ilha de Moçambique é dar formações aos técnicos de saúde das Unidades Sanitárias deste distrito. Os temas, que até junho, vou abordar estão relacionados com a Nutrição Materno-Infantil, que é uma das minhas área de eleição para trabalhar.

Como tal, decidi que sendo este um blog também sobre Nutrição, não queria deixar de partilhar com vocês temas também desta área. Até porque acredito que existam por aí seguidoras mamãs ou futuras mamãs, e que a Nutrição Materno-Infantil seja algo que seja do vosso interesse.  

Posto isto, hoje esta publicação é sobre a Alimentação da Mulher Grávida.

Alimentação na Mulher Grávida

Sabia que mesmo antes da conceção do bebé, a mulher que pretende engravida, já deve ter uma alimentação nutricionalmente adequada para poder vir a desenvolver um bebé saudável?

Pois é, a Alimentação da mulher grávida tem importância mesmo antes da gravidez se dar.

Para que todo o processo seja benéfico tanto para a mãe como para o bebé, é essencial que a Nutrição seja a adequada em todos os momentos desta fase de vida da mulher.

Qual a importância da Alimentação nesta fase?

Durante o processo da gravidez, isto é, durante os nove meses de gestação, a mulher vai sofrer variadíssimas alterações no seu organismo que vão influenciar nas suas necessidades de nutrientes.

Tudo aquilo que a mulher grávida ingere terá influência no desenvolvimento do feto, uma vez que toda a sua fonte de nutrientes vem da alimentação da mãe, bem como das suas reservas nutricionais.

Não nos podemos esquecer que cada caso é um caso e cada mamã é uma mamã. A alimentação deve adaptar-se a cada mulher e deve-se ter em conta as suas necessidades individuais.

Que alterações acontecem nesta fase e que levam a necessidades nutricionais especiais?

São as alterações no corpo da mulher que vão levar a um aumento das necessidades nutricionais, pelo que é importante a sua referência.

As alterações mais óbvias e visíveis são as que acontecem a nível da sua composição corporal, isto é, há um aumento do volume corporal dando-se o aumento de peso.

Também o volume sanguíneo vai ser alterando, acontecendo um aumento do volume plasmático e volume de hemácias.

O sistema cardiovascular e o sistema respiratório vão sofrer alterações, no sentido em que de vai dar um aumento da frequência cardíaca e da frequência respiratória.

O metabolismo, isto é, a capacidade que o nosso organismo tem de transformar quimicamente células , também estará modificado, havendo um aumento dos gastos energéticos do organismo da mulher.

Em relação à função renal observa-se um aumento da taxa de filtração glomerular, do fluxo sanguíneo renal e um aumento de excreção de nutrientes. Contudo dá-se uma diminuição na capacidade de excretar a água, levando a uma acumulação da mesma a nível das pernas e tornozelos.

O aumento do apetite, as náuseas e vómitos, as alterações no paladar, o aumento de absorção de nutrientes, a diminuição do esvaziamento gástrico (que leva ao refluxo gastroesofágico) são alterações que acontecem a nível do trato gastrointestinal.

Tudo isto leva a que seja recomendado que, nesta fase, a mulher leve uma alimentação adequada para que a sua saúde, bem como a do bebé, não fique comprometida.

Qual é o peso que se deve ganhar durante a gravidez?

Volto a repetir que cada caso é um caso, e cada mulher grávida tem necessidades próprias, pelo que o peso ganho não é uma regra. Cada mulher terá alterações de peso individuais.

Antes de mais, explicar que o ganho de peso não vem só da formação do feto, mas também da formação da placenta , do cordão umbilical, do líquido amniótico, do aumento do volume do útero, do volume sanguíneo, do tecido mamário, dos seios e das reservas de gordura , proteínas e dos fluídos teciduais.

Segundo o Manual de Referência da Direção Geral de Saúde “Alimentação e Nutrição na Gravidez” é recomendado um aumento de peso progressivo e, segundo a imagem que apresento retirada do mesmo manual, diferenciado dependendo do Índice de Massa Corporal apresentado antes da gravidez:

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Figura 1 – Recomendações para o aumento de peso ideal. – Manual de Referência da Direção Geral de Saúde “Alimentação e Nutrição na Gravidez”

Um inadequado ganho de peso está associado a possíveis complicações no parto, bem como ao comprometimento da saúde do bebé, aumentando o risco de lesões intrauterinas fetais.

Como deve ser a Alimentação da Mulher grávida?

Primeiro lembrar que a mulher grávida “não deve comer por dois”, mas sim manter uma alimentação saudável que satisfaça as suas necessidades e do bebé. Isso será essencial para o crescimento saudável do bebé e bem-estar da mãe.

Em relação às necessidades energéticas, a recomendação é que estas comecem a aumentar apenas a partir do segundo e terceiro trimestre: entre 340 kcal a 450 kcal.

Alguns nutrientes devem ter uma ingestão aumentada nesta altura devido aàs referidas alterações no organismo da mulher e do bebé:

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Figura 2 – Necessidades Nutricionais Aumentadas 

Como podemos observar, não há alterações bastante significativas quando se compara com as recomendações para a alimentação da população geral. Deve-se, no entanto, ter em atenção o consumo acrescido destes nutrientes, mantendo uma alimentação adequada através também da confeção saudável dos alimentos.

A alimentação da mulher grávida deve ser uma alimentação equilibrada, variada e dinâmica.

Algumas recomendações/cuidados a ter:

A mulher grávida deve tomar sempre um pequeno-almoço que sirva como uma boa fonte de energia pela manhã;

Não deve comer muito numa só refeição, deve sim fazer refeições pequenas e de forma calma mastigando bem os alimentos;

Não deve estar mais de 3 a 3,5 horas sem comer, e deve fazer refeições em horários estabelecidos;

Deve ingerir muitos líquidos ao longo do dia;

Deve fazer uma manipulação segura dos alimentos (como lavar e cozer bem);

Deve evitar dietas muito restritivas;

Deve evitar consumo de álcool e consumo de cafeína (especialmente no 1ºtrimestre);

Aconselha-se à prática de atividade física moderada.

Conclusão:

O desenvolvimento de um bebé saudável, depende de uma mamã com hábitos saudáveis, que vão desde o que ingere até à prática de atividade moderada e comportamentos seguros tanto para o bebé como para a mãe.

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